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Love, Death & Robots

A Netflix não para de surpreender. E dessa vez a boa-nova é para os amantes da animação: foi lançado na última sexta (15/03) a série “Love, Death & Robots“, capitaneadas por Tim Miller e David Fincher (dois nomes já consagrados em Hollywood).

Como amante do desenho em todas as suas possibilidades, não posso deixar de comentar sobre aqui no blog. Portanto comentarei um pouco das minhas impressões sobre os episódios, além de dar um Review sobre as técnicas e uma análise sobre a estética dos curta-metragens, que estão maravilhosos.

Num primeiro momento fica impossível não comparar com o histórico “Animatrix” e a comparação realmente faz sentido, entretanto, acho que a estética do primeiro curta força uma aproximação com os longas do início dos anos 2000.

Num segundo momento, traça-se um paralelo com “Black Mirror” porque a temática das animações é recheada de SCI-FI, niilismo, tecnologia e, como o nome diz amor, morte e robôs, ou seja, os fãs do espelho preto certamente vão curtir a séria de curtas. Também acho que a abertura e encerramento fortalecem o paralelo.

São dezoito episódios e mesmo os piores são bons, o que significa que a série é bem acima da média.

Tecnicamente, as animações são um deleite. Sério, faz tempo que não fico tão impactado com produções de animação e, apesar da maioria dos episódios serem em CGI, houve bastante espaço para o 2D, ainda que não numa roupagem clássica (o que é perfeitamente entendível, tanto no sentido das técnicas disponíveis serem muitas, quanto no sentido da produção necessitar de celeridade).

O que mais destaco como positivo, em termos visuais, foi o show de mistura de técnicas. Muitos episódios apresentam uma mix entre 3d, 2d, Cell shading e motions graphics que é simplesmente sensacional. Muitos dos episódios tem uma aparência memorável e arrisco dizer que se tornarão clássicos muito em breve.

Para a animação a série é maravilhosa, aquece o mercado e revela novas estéticas e técnicas possíveis para projetos futuros, além de provar de uma vez por todas que as animações podem ter temática adulta e contar histórias complexas. Ah, é bom ressaltar que as animações são para maiores de 18.

Abaixo um pouco sobre os episódios e como cada um me impactou, uma mais do que outros. A análise é enviesada pelo olhar de um desenhista, vale lembrar.

  1. A vantagem de Sonnie – o episódio de abertura tem um visual clássico das animações 3d com texturas menos complexas do que é possível hoje em dia, deixando claro ser uma decisão estética. A história é empolgante com uma reviravolta interessante ao fim do episódio. Nota 7/10.
  2. Os três robôs – levei algum tempo para entender que não fazia parte do mundo anterior e quando saquei já estava entretido com os personagens, que são muito carismáticos. A relação com os gatos é muito bacana também e visualmente o episódio é bacana, apesar de ser um dos menos revolucionários. 8/10
  3. A testemunha – um dos meus favoritos, é um suspense com referências BDSM que tem um visual pra lá de impactante. As escolhas gráficas são das mais acertadas da série e das que vi nos últimos anos na animação mundial. 10/10
  4. Proteção contra alienígenas – um 3d com animação em interpolação incompleta, que dá um tom de stop motion e que tem escolhas acertadas na inserção de elementos 2d. A história também é muito boa, com final distópico. 8/10
  5. Sugador de almas – tiro, porrada e bomba. Uma animação com desenho fantástico com traço próximo da escola Gobbelin, tenho quase certeza de que foi desenvolvido com o Grease pencil do Blender. Além de tudo, 2d! 9,5/10
  6. Quando o Iogurte assumiu o controle – o episódio mais cômico, o que pode si só gera surpresa e quebra o clima. Visual bonito, cartunizado e tom niilista. Os personagens me lembraram alguns desenhos da ilustradora Anna Anjos. 7/10
  7. Para além da fenda de Áquila – SCI-FI dos bons que brinca com a realidade, dando uma carga dramática existencialista sobre viagens no espaço-tempo. Lindo em muitos quesitos com final impactante. 10/10
  8. Boa caçada – animação 2d nos moldes de “Avatar” e Mulan de tirar o fôlego com tanta beleza. Fazia anos que eu não via algo tão fluído, achei maravilhoso. Para além disso, tem uma história com o feminino muito interessante. 10/10
  9. O lixão – para mim esse é o episódio mais pragmático da temporada. Tudo está no lugar, é bonito e competente, mas não é dos meus preferidos.
  10. Metamorfos – lobisomens militares brigando. É isso. Um dos que menos gostei, apesar de ser bonito e ter cenas de brutalidade que normalmente eu gostaria.6/10
  11. Ajudinha – um episódio denso que aborda alguns dos maiores medos humanos: a solidão e a finitude. Cenas fortíssimas embrulhar o estômago com uma história de resignação. 10/10
  12. Noite de pescaria – um Cellshading muito legal e uma história viajada. Acredito que a minha amiga Malu gostará mais do que eu. 8/10
  13. 13, número da sorte – SCI-FI com estética 3d e o acaso. 7/10
  14. Zuma Blue – meu episódio favorito, tanto pela história, quanto pelo visual, tem, para mim, uma aproximação com o trabalho do Alan Moore no personagem protagonista. O desenho é ESPETACULAR. MESMO! Uma coisa SUBLIME. 10/10
  15. Ponto Cego – essa animação é uma das que mais tem fôlego para se tornar um “spin-off” seriado. Tecnicamente impecável, lutas bem coreografadas, roteiro ótimo e cheio de palavrões. Ah, os palavrões… 10/10
  16. Era do Gelo – um episódio bacana sobre civilizações. A interação com atores é muito interessante. 9/10
  17. Histórias alternativas – muito bem executado, lindo. Porém seu trunfo está em deixar muito claro que indivíduos não fazem tanta diferença e que mais do que isso, as coisas tendem ao caos e à degradação. 10/10
  18. A guerra secreta – Lindo. Mesmo. Uma história épica com 3d super naturalista que deixa a gente de boca a aberta. A história também é incrível e os takes finais são uma coisa de louco. 10/10